CULTURA DAS GERAIS

terça-feira, junho 06, 2006

A Riqueza do Vale


O vale do Jequitinhonha é formado pelos municípios: Almenara, Angelândia, Araçuaí, Aricanduva, Berilo, Capelinha, Chapada do Norte, Corornel Murta, Couto Magalhães de Minas, Datas, Diamantina, Felício dos Santos, Felisburgo, Francisco Badaró, Itamarandiba, Itaobim, Itinga, Jacinto, Jequitinhonha, Joaíma, Minas Novas, Pedra Azul, Ponto dos Volantes, Rubim, Salto da Divisa, São Gonçalo do Rio Preto, Serro, Turmalina, Veredinha e Virgem da Lapa. Uma região considerada uma das mais pobres do Brasil, de solo é árido e castigado por secas e enchentes.Mais da metade da sua população vive na área rural praticando uma rudimentar agricultura e pecuária. Mas há muita riqueza no Vale do Jequitinhonha. Seja a riqueza escondida no solo na forma de ouro, diamante e pedras preciosas. Seja, sobretudo, a riqueza cultural do povo do Vale. O Jequitinhonha tem música e poesia, cantadas por Rubinho do Vale, Saulo Laranjeira, Pereira da Viola, Paulinho Pedra Azul e o Coral Trovadores do Vale. O Jequitinhonha tem carne de sol e feijão tropeiro. Tem queijo e cachaça. O Jequitinhonha tem arte rica em formas, materiais e detalhes, confeccionada pelas mãos pobres e oprimidas, porém criativas, dos artesãos. E é no artesanato que o Vale do Jequitinhonha ficou mundialmente conhecido, com a beleza e qualidade de suas Cerâmicas, Tecelagens, Cestarias, Esculturas em Madeira, Trabalhos em Couro, Bordados, Pintura, Desenho. Cada obra do artesanato feita no vale guarda um pouco da tradição de séculos de arte e das influências das culturas indígena, negra e branca, que se cruzaram na região. “Com certeza a maior riqueza do vale está na arte, é a arte e artesanato que consegue aliviar um pouco o sofrimento do nosso povo” , diz o cantor Paulinho Pedra Azul.

Ouro em Barro

A princípio os trabalhos feitos com barro era voltado para peças utilitárias, como panelas, moringas,vasilhas etc, com o passar do tempo passaram a produzir peças decorativas Figuras humanas, animais, cenas do cotidiano, tipos, usos e costumes da região. No processo de produção ainda é usado fornos a lenha, a técnica dos roletes (cobrinhas), ao invés do torno de oleiro, placas e toscas ferramentas. E pintados com pigmentos naturais extraídos de barro encontrados nas muitas jazidas de argila da região.uma das artesã mais famosa da região é dona Isabel. Ela é do pequeno município de Santana do Araçuaí. E ficou conhecida pelas suas perfeitas bonecas feitas de barro . Dona Isabel conta que começou a ser bonequeira num sonho de criança “ quando eu era menina via minha mãe fazer louças e eu já fazia bonequinhas com o resto da argila que ficava pelo chão “conta dona Isabel. Como bonequeira criou imagens representando o povo da região em noite de gala, especialmente mulheres, em diversas situações especiais do cotidiano: Noivas vestidas de branco com arranjos e buquês, noivos elegantemente vestidos com terno e gravata, madrinhas, grávidas amamentando, preparativos para festas, procissões etc. Algumas das peças chegam a medir de 1,5 metros de altura. São minuciosamente enfeitadas, decoradas. As mulheres são apresentadas com olhos, cílios, lábios e unhas pintadas, e penteados impecáveis. Todas portam colares, brincos e outros enfeites. O acabamento das peças (pintura) é feito usando barro da região "água de barro" de variadas tonalidades, muitas vezes misturados entre si, para a obtenção de outros tons. O resultado final é uma superfície lustrosa, acetinada, quase sem imperfeições.Dona Isabel faz parte da Associação dos Artesãos de Santana do Araçuaí que promove Oficinas e onde os artesãos comercializam suas peças: bonecas de variados tamanhos, galinhas, moringas, flores, potes, vasos, figuras de presépios, louça para feijoada e muito mais. Os trabalhos produzidos por ela , ao contrário do que acontecia no início de sua carreira, são atualmente bastante valorizados. Uma boneca de maior tamanho pode chegar a custar milhares de reais, e o atendimento obedece a uma fila de espera.

Fotos: Leonardo Alvim
Fonte: Vídeo Da Terra, A Alma.
Repórter: Dênia Ribeiro

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